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sábado, 14 de julho de 2012

A menina que não tinha pulsos


Guarda os pulsos pro final
Saída de emergência
(Pitty)

A menina sempre se achou estranha
Era estranha: a white freak (só descobri isso depois)
Era bela, cabelos pretos e tudo!
Olhos sempre maquiados, só os olhos muito maquiados
Mas mesmo assim era estranha
Sempre andava com um blusão preto parecendo uma camisa de força que unia os seus dois braços.

Só descobri depois...
Ela era a famosa menina que não tinha pulsos
Seus braços só existiam até o cotovelo
Suas mãos saiam dos cotovelos
Sem pulsos
Realmente uma aberração, um erro da natureza
Era bela a menina que não tinha pulsos

Mas um dia ela encontrou o amor
Um amor de 16 anos
E percebeu nesse dia que seu antebraço começou a brotar
A cada dia suas mãos se distanciavam mais e mais de seus cotovelos
Até que deixou de ser a estranha
Deixou de ser a menina que não tinha pulsos
Era a menina que tinha encontrado o amor e com ele os pulsos

Um dia o amor foi muito mal para a menina que tinha encontrado o amor
E ela passou a ser a menina que chorava e tinha pulsos

Ontem (última vez que vi a menina que chorava e tinha pulsos), encontrei-a deitada na neve sem blusão (já não usava mais o blusão)
Ela não vestia nada
O cenário só não era preto e branco por conta das gotas de sangue que saiam dos seus pulsos
E apesar de estar quase morta, foi aí que ela compreendeu porque junto com o amor tinham surgido os pulsos

domingo, 29 de abril de 2012


Uma pena
Pesou sobre o meu ombro com o peso de uma voz
Vindo do meu peito
A escória de sub-adjetivos mal falados
Saía da minha boca aos berros
Tão ensurdecedor quanto sussurro de homem surdo
Mudo
A minha voz para que todo mundo ouça
Feito Satã dentro de corpo exorcizado
Grito
Como a puta donzela ao fingir ser arrombada
...
Queria poder ouvir os gritos
Depois do meu suicídio

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Cidade Canção*


"Não existe amor em SP"
(Criolo)


sem mim
tão mórbida
Cidade morta:


voz grave
canção triste
violão dedilhado
arte e amor; solidão
café com livro e museu
“Mais um dia cinza em São Paulo
O meu coração quer tudo e nada quer”


*Inspirado na canção de Zeca Baleiro.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Three Songs*

Please, put in your head
Open your ears to listen
The advice that these songs say to you:

If you don´t want to stay looking for me
In the empty of  our home,
Don´t tell me knives.
Choose the most beautiful Word to love me,
Because,
Nevermore I will find someone like you.
Nevermore you will find someone like me.

*Slightly inspired by the songs: Saudade de Chumbo (by Fernando Anitelli Trio), Palavra (by O Teatro Mágico) and Someone Like You (by Adele).

quinta-feira, 5 de maio de 2011

sábado, 30 de abril de 2011

No mesmo espaço

ao lindo casal: Ramona e Jussier

Dois...
Em ramos
ramificações
Ramo-
           nificações
Em um urso
fofo
bruto
homem.

Dois...
Infindas tardes
onde o vertical e o côncavo
se ramificam
Reproduz
Ramos
Ramo-
           nificações.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Limite


A vida que vivo
já não é minha.

Meu rosto
Sorriso
Meu choro
Caminhos
Nada é meu.

Onde estão minhas asas
Minhas penas
Meus pensamentos.
Porque só pesares
em meu coração?

As flores
Onde estão as flores?

(Estão nos jardins,
em um Éden perdido,
repleto de frutos proibidos.)

Quero de novo ser expulso do Paraíso.