Esta noite foram 51.108.875 votos. Um número extraordinário. Nenhum reality show no mundo se aproxima dos nossos números.
Ah! Maria, você encantou o Brasil, com sua doçura, sua verdade...
Ah! Wesley, você também nos encantou, só por ser bem educado, atencioso...
Mas convenhamos Maria, convenhamos Doutor, que surra! Que lição de vida, Doutor!
Você que queimou tanta pestana nos livros de medicina, foi preciso trancar o Senhor Doutor, trancar o Senhor Doutor pra dar-lhe uma aula de “Rua”, trancar o Senhor numa casa estranha pra aplicar-lhe um sova de vida.
“cais à meia-noite!”
“the wild side!”
“O lado selvagem!”
Entrou cheirando à leite,
Agora, deve estar com o perfume de Maria.
“Óh! nobre sentimento da inveja”
Você nem sabe o quanto se transformou, Doutor. Só aqui fora, mais tarde, poderá se dar conta.
Você não é mais o mesmo, mesmo.
Quero contar, recontar do meu jeito, uma história meio adaptada de um conto do Guimarães Rosa chamado:
Substância
É a história da paixão, do amor incontrolável de um grande proprietário, pela mais humilde de suas funcionárias.
Ele fica louco de amor, só tem olhos para a menina, jovem donzela intocável.
Sim!
Pois ninguém a toca com medo de seu passado, todos tem medo dela, apesar da formosura, medo de seu passado:
A mãe dela não prestava:
Vagabunda, louca de pedra.
O pai: Leproso!
O homem, o patrão da menina linda e órfã, fica alucinado, vocês podem imaginar:
Não dorme mais, nem fica acordado, é um ser atormentado, refém de uma decisão:
Ou coloca uma pedra sobre o coração, congela, mata aquela paixão e todos os riscos que tal paixão traz, e morre, também, sozinho.
Ou... ou se entrega ao destino e também pode morrer de amor...
Daqui a pouquinho eu conto o fim da história.
O fato das coisas não mudarem a muito tempo não quer dizer que as coisas são imutáveis:
Reza a lenda, e até faz sentido, que são as mulheres que decidem o Big Brother:
Que elas são quem votam mesmo! e que por isso mulher bonita e gostosa num vai ganhar NUNCA!
“Ah! vai posar nua, fazer novela, o escambal, coisa e tal, casar com homem rico, tá com a vida ganha!”
Até que chega uma mulher...
Até que chega uma linda mulher
que atrai os homens e intriga as mulheres.
Até que chega uma mulher que... esfrega não!... que afaga na cara das mulheres, tudo o que elas detestam ser, ter sido, ou vir a ser de novo por alguma circunstância.
Circunstância aí, quer dizer: “Homem que não me quer! Ok, Bonecas!”
Vem então essa boneca... de pano, com um?...
Sorriso ou Feitiço?
Sei lá!
Sorriso no rosto, num acredito em feitiço, acredito em Deusas.
E com esse tal sorriso...
e com suas lágrimas,
Valei-me!
Ela não apenas sorriu,
nem apenas chorou.
A propósito...
Quem é burro mesmo?
Bom!
Eu contei toda aquela história inspirada no Guimarães Rosa, do patrão apaixonado pela empregada humilde e de passado suspeito, só pra usar a frase dele, do homem apaixonado, quando ele finalmente toma sua decisão.
Eu vou usar a frase para anunciar pra quem vai o Big Brother Brasil 11:
Por favor, quando terminarem de ler o texto, assistam aos vídeos no fim do post.
Muitas pessoas que me conhecem sabem que gosto do Big Brother Brasil, cheguei até, por diversas vezes, a sofrer preconceito por isso. Mas ontem ao assistir e ouvir o discurso de eliminação da Roraimense Paulinha, me deparei com mais uma aula de performance (chego a dizer literária) do apresentador do reality Pedro Bial.
Em alusão ao celebre livro de Lewis Carrol, Alice in Wonderland ou Alice no País das Maravilhas para nós brasileiros, Bial compara a perseguição do Coelho Branco por Alice; que a leva ao mundo maravilhoso do País das Maravilhas, com a perseguição do mundo televisivo pelas emparedadas; que poderia levá-las (e levou) ao mundo maravilhoso da Fama:
E todos aqueles gatos e seus sorrisos de gatos
E todos aqueles chapeleiros malucos e seus chás
E todas aquelas festas e provas malucas
E todas aquelas rainhas a cortar cabeças
E todos aqueles líderes
E todas aquelas cartas
E o baralho de gente
E todas aquelas portas, fechaduras, cadeados, tantas chaves
E tanta vontade de mergulhar, despencar naquele buraco
Pirar geral... pro reino inteiro ver
Crescer... até não caber em si
Encolher... até caber no buraco de saída
Mas você não quer sair
Mas você tem que sair
Chegou a hora
E para sair você tem que responder apenas uma pergunta:
Quem é você?”
E essa última pergunta feita a Paulinha foi, ao meu ver, também a justificativa pela saída dela. Disse um dia o já eliminado Diogo: “Quem é amigo de todo mundo não é amigo de ninguém” Uma opinião filosófica até, Freud por exemplo chegou a teorizar algo parecido. Quem acompanha o programa sabe que Paulinha tinha que responder àquela pergunta ainda durante o jogo, não respondeu, foi eliminada.
A eliminação de ontem me lembrou um outro discurso de eliminação, sendo que do Big Brother Brasil 10. Impossível não se emocionar, não se arrepiar, não chorar com o show de emoção passado por esse Pedro, esse Pedro Poeta, poeta da vida real de mentirinha. Antes de anunciar a eliminação do colorido (no sentido mais cândido e mais alegre dessa palavra) Serginho, que enfrentava o também colorido Dicesar. Bial nos apresentou, nos recitou a (re)invenção de uma história em forma de poesia que tinha como protagonistas ninguém menos que Peter Pan e Dorothy e como roteiro a tradução da canção Over The Rainbow. Vamos ao discurso/poema:
“Serginho é Peter Pan
É Peter Pan, a criança que não cresceu e sabe voar
Quer aprender? Quer voar?
Pense numa coisa boa, pense numa coisa bem boa
É só pensar em coisa boa que a gente voa
Pense numa coisa bem linda
Que você nem viu ainda
Num raio de luar que você vai voar
Peter Pan, sombra na parede da caverna de Capitão Gancho
Travessura? Espectro? Imagem só?
Será? Não é possível
É ele... Pan... Está lá? Lá?
Ele está? De que lado ele está?
É só pensar em coisa boa que a gente voa
Se pensar em coisa ruim?
Bom! Pode até chegar ao fim
Dicésar é Dorothy
De ‘O Mágico de Oz’
Sapatinhos vermelhos Dimmy
Brilhantes
Dicésar tem coração GRANDE, que não murchou
Apesar de tantas vezes machucado
Pra você Dicésar e pra você Serginho
Eu gostaria de cantar uma canção
Como eu não canto assim tão bem
Eu vou dizer um resumo da tradução
‘Em algum lugar acima do arco-íris
Lá em cima
Existe uma terra que eu ouvi falar uma vez numa canção de ninar
Em algum lugar acima do arco-íris
O céu é azul
E os sonhos que você ousa sonhar
Se tornam realidade, VERDADE
Vou fazer um pedido à uma estrela
E acordar em um lugar além das nuvens
Onde os problemas se derretem como balas de limão
Bem pra lá do topo das chaminés
É lá que você vai me encontrar
Pássaros azuis voam acima do arco-íris
Se pássaros azuis voam contentes acima do arco-íris
Por que eu não posso voar?’
THERE IS NO PLACE LIKE HOME!
(...)
Dicésar, Dorothy busca o caminho de casa
Quer ir pra casa, ficar com a mãe
Segue a estrada de tijolos amarelos
E ainda quer arrumar coragem pro leão, um coração pro homem de lata, um cérebro pro espantalho...
Ai Caramba!
Peter Pan ou Dorothy?
Sérgio ou Dicésar?
Quem sai?
SAI SERGINHO!”
Para os que me criticaram por gostar do Big Brother; sobre os argumentos de que este é um programa que só passa pornografia, mulher pelada, de que “têm mais o que fazer do que ficar querendo saber da vida de gente que nem conhece”, ou seja, fofocar, eu peço: quem nunca falou da vida alheia ou quem nunca consumiu pornografia que atirem a primeira pedra.
Criei este blog pretendendo falar de arte e principalmente de literatura, pois bem, quem ousa dizer que isso não é arte, que isso não é literatura.
Pelo primeira vez venho até vocês conversar sobre algo de forma não literária, entretanto não deixarei de falar de Literatura ou de Arte. Mas chega de explicações e vamos ao que interessa.
Nos últimos meses venho assistindo muitos filmes adaptados a partir de obras literárias, influência da minha área de estudo. Há meses que me passaram o arquivo do filme brasileiro Dois Perdidos numa Noite Suja, (adaptação da peça homônima do dramaturgo, romancista, jornalista e tantas outras atribuições, Plínio Marcos), mas apesar do tempo, só hoje me veio a vontade de assisti-lo, e me arrependi de não ter visto antes, o filme é muito bom, intrigante e polêmico, com atuações memoráveis de Débora Falabella e Roberto Bomtempo, mas, para não contar mais do que devo, vou transcrever com ligeiras modificações a sinopse disponível no site oficial do filme.
Dois Perdidos Numa Noite Suja narra o encontro explosivo de dois brasileiros que, como tantos outros imigrantes dos anos 90, trocaram a falta de perspectiva do país pela ilusão do sonho americano.
Depois de um encontro casual, Tonho (Roberto Bomtempo) convida Paco (Débora Falabella) para dividir um galpão abandonado. Tonho é tímido, humilde, sincero. Paco é misteriosa, arrojada, agressiva. Fora a condição de estrangeiros, aparentemente não têm nada em comum. Ele está cansado de subempregos e quer voltar para o Brasil. Ela quer virar uma pop-star e vender mais discos que a Madonna. Por necessidade, falta de opção e solidão Tonho e Paco passam a viver um cotidiano infernal, fruto de ressentimento, frustrações, violência e uma inusitada história de amor.
A convivência forçada desses dois imigrantes à margem da sociedade irá revelar de forma crua e despudorada a falência da esperança de uma vida mais digna. O desespero crescente leva Paco e Tonho a aplicarem golpes cada vez mais arriscados. A diferença de temperamentos e objetivos provoca confrontos cada vez mais violentos com um final tão doloroso quanto inesperado.
Fonte: http://www.doisperdidos.com.br
Apesar do sucesso, Dois Perdidos Numa Noite Suja não teve indicações a prêmios internacionais, mas no Brasil ganhou o Troféu Candango do Festival de Brasília de 2002, levando os prêmios das categorias de Melhor Atriz (Débora Falabella), Melhor Diretor (José Joffily) e Melhor Roteiro (Paulo Halm). O filme ainda levou os prêmios de Melhor Atriz (Débora Falabella) no Grande Prêmio Cinema Brasil 2004, Melhor Montagem (Eduardo Escorel) e Melhor Trilha Sonora Original (David Tygel) no Festival de Gramado de 2002 e Melhor Fotografia (Nonato Estrela) no Cine-PE 2003.
Portanto fica a pedida para quando não se tiver o que fazer, dar esse mergulho na night Nova Yorquina, na companhia dos miseráveis Paco e Tonho.