quinta-feira, 5 de maio de 2011

sábado, 30 de abril de 2011

No mesmo espaço

ao lindo casal: Ramona e Jussier

Dois...
Em ramos
ramificações
Ramo-
           nificações
Em um urso
fofo
bruto
homem.

Dois...
Infindas tardes
onde o vertical e o côncavo
se ramificam
Reproduz
Ramos
Ramo-
           nificações.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Limite


A vida que vivo
já não é minha.

Meu rosto
Sorriso
Meu choro
Caminhos
Nada é meu.

Onde estão minhas asas
Minhas penas
Meus pensamentos.
Porque só pesares
em meu coração?

As flores
Onde estão as flores?

(Estão nos jardins,
em um Éden perdido,
repleto de frutos proibidos.)

Quero de novo ser expulso do Paraíso.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Poeta no escuro

Incompreensivelmente calado
numa casa vazia em tarde de chuva
folheando um velho álbum de família.
As fotos de um eu quando eu:
Rostos e gestos de pessoas mortas.
Uma canção triste vem do infinito
...
Lágrimas no telhado.

Agora é noite.
No breu abro os olhos, nada vejo.
Uma brisa fria semeada pela garoa
...
Talvez na madrugada se colha a tempestade
...
Uma nuvem sorri pra mim,
iluminada por uma lua cheia
com um imenso vazio ao seu redor
...
As paredes estão cinzas.

Ensaio um grito,
o silêncio me sufoca,
me vem um leve gemido.
A imensa luz negra me cega
pelo som das árvores
e folhas
e nada,
sinto que a brisa,
semeada outrora,
finalmente virou tempestade.

O poeta que escreve no escuro,
faz uma prece sem fé.
Adormece
...
(Ele deseja nunca mais acordar)
...
Agora,
ele sonha que
morre.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Líquidos


Tomo água
Tomo cerveja
Tomo coragem
Tomo vergonha
                        Na cara
Tomo tapa
Tomo soco
Tomo suco
Tomo muco
          saliva
          gosto
          gozo
Tomo às horas
Tomo agora
Tomo à força
Tomo a grana
Tomo todas
Tomo 
         a cama

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Discurso Final do Big Brother Brasil 11

"O blog é meu, escrevo o que eu quiser!"
(Tinho Valério)

Esta noite foram 51.108.875 votos. Um número extraordinário. Nenhum reality show no mundo se aproxima dos nossos números.

Ah! Maria, você encantou o Brasil, com sua doçura, sua verdade...
Ah! Wesley, você também nos encantou, só por ser bem educado, atencioso...
Mas convenhamos Maria, convenhamos Doutor, que surra! Que lição de vida, Doutor!
Você que queimou tanta pestana nos livros de medicina, foi preciso trancar o Senhor Doutor, trancar o Senhor Doutor pra dar-lhe uma aula de “Rua”, trancar o Senhor numa casa estranha pra aplicar-lhe um sova de vida.
“cais à meia-noite!”
the wild side!
“O lado selvagem!”
Entrou cheirando à leite,
Agora, deve estar com o perfume de Maria.
“Óh! nobre sentimento da inveja”

Você nem sabe o quanto se transformou, Doutor. Só aqui fora, mais tarde, poderá se dar conta.
Você não é mais o mesmo, mesmo.

Quero contar, recontar do meu jeito, uma história meio adaptada de um conto do Guimarães Rosa chamado:
 Substância
É a história da paixão, do amor incontrolável de um grande proprietário, pela mais humilde de suas funcionárias.
Ele fica louco de amor, só tem olhos para a menina, jovem donzela intocável.
Sim!
Pois ninguém a toca com medo de seu passado, todos tem medo dela, apesar da formosura, medo de seu passado:
A mãe dela não prestava:
Vagabunda, louca de pedra.
O pai: Leproso!
O homem, o patrão da menina linda e órfã, fica alucinado, vocês podem imaginar:
Não dorme mais, nem fica acordado, é um ser atormentado, refém de uma decisão:
Ou coloca uma pedra sobre o coração, congela, mata aquela paixão e todos os riscos que tal paixão traz, e morre, também, sozinho.
Ou... ou se entrega ao destino e também pode morrer de amor...

Daqui a pouquinho eu conto o fim da história.

O fato das coisas não mudarem a muito tempo não quer dizer que as coisas são imutáveis:
Reza a lenda, e até faz sentido, que são as mulheres que decidem o Big Brother:
Que elas são quem votam mesmo! e que por isso mulher bonita e gostosa num vai ganhar NUNCA!
“Ah! vai posar nua, fazer novela, o escambal, coisa e tal, casar com homem rico, tá com a vida ganha!”
Até que chega uma mulher...
Até que chega uma linda mulher
que atrai os homens e intriga as mulheres.
Até que chega uma mulher que... esfrega não!... que afaga na cara das mulheres, tudo o que elas detestam ser, ter sido, ou vir a ser de novo por alguma circunstância.
Circunstância aí, quer dizer: “Homem que não me quer! Ok, Bonecas!”
Vem então essa boneca... de pano, com um?...
Sorriso ou Feitiço?
Sei lá!
Sorriso no rosto, num acredito em feitiço, acredito em Deusas.
E com esse tal sorriso...
e com suas lágrimas,
Valei-me!
Ela não apenas sorriu,
nem apenas chorou.
A propósito...
Quem é burro mesmo?
Bom!
Eu contei toda aquela história inspirada no Guimarães Rosa, do patrão apaixonado pela empregada humilde e de passado suspeito, só pra usar a frase dele, do homem apaixonado, quando ele finalmente toma sua decisão.
Eu vou usar a frase para anunciar pra quem vai o Big Brother Brasil 11:

“A ela – a única Maria no mundo”


Pedro Bial
29/03/2011

domingo, 3 de abril de 2011

Depois do fim

Agora,
depois do fim,
só nos resta a flor,
só nos resta a canção,
só nos resta o poema,
só nos resta a palavra...
A palavra falada,
a palavra escrita,
a palavra gritada,
a palavra cuspida...

É...

Agora,
depois do fim,
só nos resta a palavra,
a palavra palavra
e um pouco de vida.

segunda-feira, 28 de março de 2011

"Um pouco do resto"

à C.C.
           
            Ficava naquele impasse “eu quero, mas será que ela vai querer, será que eu vou conseguir e se a raiva me inibir e se meu pau não subir e se ela não ficar molhada” esses e milhares de outros e se... pesavam na minha cabeça.
            Minha vontade era simples, instintiva, natural até, só queria chegar passar a mão pela nuca dela, enfiá-la pelos seus cabelos e puxá-los ao mesmo tempo em que o beijo iminente consolidasse a ausência do resto do mundo.
            Eu confiava que ela iria querer, confiava no meu taco, sabia que seria impossível ela me rejeitar, sei que ela se excita até com a minha voz ao telefone, sei que ela se masturba pensando em mim, mas... não sei... mesmo eu tendo todas essas convicções temia que algo não saísse como eu queria, temia que eu não conseguisse, temia decepcioná-la, temia não fazê-la gozar.
            Se todas as mulheres pensarem como a Clarissa (aquela que é amiga da Maria), significa que eu sou o homem dos sonhos de toda mulher: não sou o último dos românticos, mas também não sou nenhum brutamontes, sou poeta, mas jamais citei um verso antes de uma transa, nunca mandei flores, gosto de morder, de dar tapas, mas nunca deixo uma marquinha sequer, sei que existe a hora dos sussurros, dos gemidos, mas sei exatamente a hora que tenho que gritar, que chamar de vadia, safada, puta, a hora de pedir pra gozar. Pois é... mesmo assim eu temia.
            Quando passou aquela fase de hesitação, tomei coragem e fui... ela tava linda; aquele ar de mulherão, mas aquela mesma infantilidade de sempre: “menina mulher”, como diria o poeta. Entrei. Sentei no sofá. Ela, sentada no braço do outro sofá, acendeu um cigarro e, como sabe que eu não fumo, me ofereceu cerveja: “pode deixar que eu me sirvo”. Tomei o primeiro copo de um só gole, depois de dez minutos de conversa, ela já havia fumado três cigarros e eu nada de tomar a atitude que planejara. O clima de repente ficou insuportável, um silêncio chato, absurdo. Baixei a cabeça pra encher novamente o meu copo, quando levantei a vista ela já estava tirando o vestido, que caíra ao seus pés, a menina mulher agora era só mulher o meu medo de não conseguir se fora, meu pau instantaneamente ficou duro, ou como diria Clarissa: “Duro, não beeeeeeem duro”.
            Sexo não é improviso, fiz como planejei: a mão esquerda na nuca a arrancar-lhe os cabelos, a direita cravada na bunda, ela já de joelhos baixando minha bermuda sem tirar a cueca, apenas tirando o pau de lado (como faço com ela, as vezes) como quem brinca com brinquedo novo, ela chupa, e olha pra mim como quem diz: “Decifra-me ou te devoro”. Bruscamente ela me empurra, levita até o quarto, deita, sua masturbação é o convite... o convite que eu aceito deixando-a completamente desnuda...
            E o fim todos sabem: não precisa contar mais que “Um pouco do resto”.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Mutações

I
A casa
Antes
Tão grande
Agora
Mutação
Pequena
Espreme-me

II
A luz
Antes
Tão clara
Agora
Mutação
Escura
Cega-me

III
O Sol
Antes
Tão brando
Agora
Mutação
Quente
Queima-me

IV
A lua
Antes
Tão cheia
Agora
Mutação
Nova
Esconde-se

V
O beijo
Antes
Tão voraz
Agora
Mutação
Gélido
Desola-me

VI
O amor
Antes
Tão amor
Agora
Mutação
Amor
Mata-me

segunda-feira, 21 de março de 2011

Pedro Bial, Big Brother e Literatura

            Por favor, quando terminarem de ler o texto, assistam aos vídeos no fim do post.
            Muitas pessoas que me conhecem sabem que gosto do Big Brother Brasil, cheguei até, por diversas vezes, a sofrer preconceito por isso. Mas ontem ao assistir e ouvir o discurso de eliminação da Roraimense Paulinha, me deparei com mais uma aula de performance (chego a dizer literária) do apresentador do reality Pedro Bial.
            Em alusão ao celebre livro de Lewis Carrol, Alice in Wonderland ou Alice no País das Maravilhas para nós brasileiros, Bial compara a perseguição do Coelho Branco por Alice; que a leva ao mundo maravilhoso do País das Maravilhas, com a perseguição do mundo televisivo pelas emparedadas; que poderia levá-las (e levou) ao mundo maravilhoso da Fama:

E todos aqueles gatos e seus sorrisos de gatos
E todos aqueles chapeleiros malucos e seus chás
E todas aquelas festas e provas malucas
E todas aquelas rainhas a cortar cabeças
E todos aqueles líderes
E todas aquelas cartas
E o baralho de gente
E todas aquelas portas, fechaduras, cadeados, tantas chaves
E tanta vontade de mergulhar, despencar naquele buraco
Pirar geral... pro reino inteiro ver
Crescer... até não caber em si
Encolher... até caber no buraco de saída
Mas você não quer sair
Mas você tem que sair
Chegou a hora
E para sair você tem que responder apenas uma pergunta:
Quem é você?”

            E essa última pergunta feita a Paulinha foi, ao meu ver, também a justificativa pela saída dela. Disse um dia o já eliminado Diogo: “Quem é amigo de todo mundo não é amigo de ninguém” Uma opinião filosófica até, Freud por exemplo chegou a teorizar algo parecido. Quem acompanha o programa sabe que Paulinha tinha que responder àquela pergunta ainda durante o jogo, não respondeu, foi eliminada.
            A eliminação de ontem me lembrou um outro discurso de eliminação, sendo que do Big Brother Brasil 10. Impossível não se emocionar, não se arrepiar, não chorar com o show de emoção passado por esse Pedro, esse Pedro Poeta, poeta da vida real de mentirinha. Antes de anunciar a eliminação do colorido (no sentido mais cândido e mais alegre dessa palavra) Serginho, que enfrentava o também colorido Dicesar. Bial nos apresentou, nos recitou a (re)invenção de uma história em forma de poesia que tinha como protagonistas ninguém menos que Peter Pan e Dorothy e como roteiro a tradução da canção Over The Rainbow. Vamos ao discurso/poema:

“Serginho é Peter Pan
É Peter Pan, a criança que não cresceu e sabe voar
Quer aprender? Quer voar?
Pense numa coisa boa, pense numa coisa bem boa
É só pensar em coisa boa que a gente voa
Pense numa coisa bem linda
Que você nem viu ainda
Num raio de luar que você vai voar
Peter Pan, sombra na parede da caverna de Capitão Gancho
Travessura? Espectro? Imagem só?
Será? Não é possível
É ele... Pan... Está lá? Lá?
Ele está? De que lado ele está?
É só pensar em coisa boa que a gente voa
Se pensar em coisa ruim?
Bom! Pode até chegar ao fim

Dicésar é Dorothy
De ‘O Mágico de Oz’
Sapatinhos vermelhos Dimmy
Brilhantes
Dicésar tem coração GRANDE, que não murchou
Apesar de tantas vezes machucado
Pra você Dicésar e pra você Serginho
Eu gostaria de cantar uma canção
Como eu não canto assim tão bem
Eu vou dizer um resumo da tradução

‘Em algum lugar acima do arco-íris
Lá em cima
Existe uma terra que eu ouvi falar uma vez numa canção de ninar
Em algum lugar acima do arco-íris
O céu é azul
E os sonhos que você ousa sonhar
Se tornam realidade, VERDADE
Vou fazer um pedido à uma estrela
E acordar em um lugar além das nuvens
Onde os problemas se derretem como balas de limão
Bem pra lá do topo das chaminés
É lá que você vai me encontrar
Pássaros azuis voam acima do arco-íris
Se pássaros azuis voam contentes acima do arco-íris
Por que eu não posso voar?’

THERE IS NO PLACE LIKE HOME!
(...)
Dicésar, Dorothy busca o caminho de casa
Quer ir pra casa, ficar com a mãe
Segue a estrada de tijolos amarelos
E ainda quer arrumar coragem pro leão, um coração pro homem de lata, um cérebro pro espantalho...
Ai Caramba!
Peter Pan ou Dorothy?
Sérgio ou Dicésar?
Quem sai?

SAI SERGINHO!”

            Para os que me criticaram por gostar do Big Brother; sobre os argumentos de que este é um programa que só passa pornografia, mulher pelada, de que “têm mais o que fazer do que ficar querendo saber da vida de gente que nem conhece”, ou seja, fofocar, eu peço: quem nunca falou da vida alheia ou quem nunca consumiu pornografia que atirem a primeira pedra.
            Criei este blog pretendendo falar de arte e principalmente de literatura, pois bem, quem ousa dizer que isso não é arte, que isso não é literatura.