Incompreensivelmente calado
numa casa vazia em tarde de chuva
folheando um velho álbum de família.
As fotos de um eu quando eu:
Rostos e gestos de pessoas mortas.
Uma canção triste vem do infinito
...
Lágrimas no telhado.
Agora é noite.
No breu abro os olhos, nada vejo.
Uma brisa fria semeada pela garoa
...
Talvez na madrugada se colha a tempestade
...
Uma nuvem sorri pra mim,
iluminada por uma lua cheia
com um imenso vazio ao seu redor
...
As paredes estão cinzas.
Ensaio um grito,
o silêncio me sufoca,
me vem um leve gemido.
A imensa luz negra me cega
pelo som das árvores
e folhas
e nada,
sinto que a brisa,
semeada outrora,
finalmente virou tempestade.
O poeta que escreve no escuro,
faz uma prece sem fé.
Adormece
...
(Ele deseja nunca mais acordar)
...
Agora,
ele sonha que
morre.
Esta noite foram 51.108.875 votos. Um número extraordinário. Nenhum reality show no mundo se aproxima dos nossos números.
Ah! Maria, você encantou o Brasil, com sua doçura, sua verdade...
Ah! Wesley, você também nos encantou, só por ser bem educado, atencioso...
Mas convenhamos Maria, convenhamos Doutor, que surra! Que lição de vida, Doutor!
Você que queimou tanta pestana nos livros de medicina, foi preciso trancar o Senhor Doutor, trancar o Senhor Doutor pra dar-lhe uma aula de “Rua”, trancar o Senhor numa casa estranha pra aplicar-lhe um sova de vida.
“cais à meia-noite!”
“the wild side!”
“O lado selvagem!”
Entrou cheirando à leite,
Agora, deve estar com o perfume de Maria.
“Óh! nobre sentimento da inveja”
Você nem sabe o quanto se transformou, Doutor. Só aqui fora, mais tarde, poderá se dar conta.
Você não é mais o mesmo, mesmo.
Quero contar, recontar do meu jeito, uma história meio adaptada de um conto do Guimarães Rosa chamado:
Substância
É a história da paixão, do amor incontrolável de um grande proprietário, pela mais humilde de suas funcionárias.
Ele fica louco de amor, só tem olhos para a menina, jovem donzela intocável.
Sim!
Pois ninguém a toca com medo de seu passado, todos tem medo dela, apesar da formosura, medo de seu passado:
A mãe dela não prestava:
Vagabunda, louca de pedra.
O pai: Leproso!
O homem, o patrão da menina linda e órfã, fica alucinado, vocês podem imaginar:
Não dorme mais, nem fica acordado, é um ser atormentado, refém de uma decisão:
Ou coloca uma pedra sobre o coração, congela, mata aquela paixão e todos os riscos que tal paixão traz, e morre, também, sozinho.
Ou... ou se entrega ao destino e também pode morrer de amor...
Daqui a pouquinho eu conto o fim da história.
O fato das coisas não mudarem a muito tempo não quer dizer que as coisas são imutáveis:
Reza a lenda, e até faz sentido, que são as mulheres que decidem o Big Brother:
Que elas são quem votam mesmo! e que por isso mulher bonita e gostosa num vai ganhar NUNCA!
“Ah! vai posar nua, fazer novela, o escambal, coisa e tal, casar com homem rico, tá com a vida ganha!”
Até que chega uma mulher...
Até que chega uma linda mulher
que atrai os homens e intriga as mulheres.
Até que chega uma mulher que... esfrega não!... que afaga na cara das mulheres, tudo o que elas detestam ser, ter sido, ou vir a ser de novo por alguma circunstância.
Circunstância aí, quer dizer: “Homem que não me quer! Ok, Bonecas!”
Vem então essa boneca... de pano, com um?...
Sorriso ou Feitiço?
Sei lá!
Sorriso no rosto, num acredito em feitiço, acredito em Deusas.
E com esse tal sorriso...
e com suas lágrimas,
Valei-me!
Ela não apenas sorriu,
nem apenas chorou.
A propósito...
Quem é burro mesmo?
Bom!
Eu contei toda aquela história inspirada no Guimarães Rosa, do patrão apaixonado pela empregada humilde e de passado suspeito, só pra usar a frase dele, do homem apaixonado, quando ele finalmente toma sua decisão.
Eu vou usar a frase para anunciar pra quem vai o Big Brother Brasil 11:
Ficava naquele impasse “eu quero, mas será que ela vai querer, será que eu vou conseguir e se a raiva me inibir e se meu pau não subir e se ela não ficar molhada” esses e milhares de outros e se... pesavam na minha cabeça.
Minha vontade era simples, instintiva, natural até, só queria chegar passar a mão pela nuca dela, enfiá-la pelos seus cabelos e puxá-los ao mesmo tempo em que o beijo iminente consolidasse a ausência do resto do mundo.
Eu confiava que ela iria querer, confiava no meu taco, sabia que seria impossível ela me rejeitar, sei que ela se excita até com a minha voz ao telefone, sei que ela se masturba pensando em mim, mas... não sei... mesmo eu tendo todas essas convicções temia que algo não saísse como eu queria, temia que eu não conseguisse, temia decepcioná-la, temia não fazê-la gozar.
Se todas as mulheres pensarem como a Clarissa (aquela que é amiga da Maria), significa que eu sou o homem dos sonhos de toda mulher: não sou o último dos românticos, mas também não sou nenhum brutamontes, sou poeta, mas jamais citei um verso antes de uma transa, nunca mandei flores, gosto de morder, de dar tapas, mas nunca deixo uma marquinha sequer, sei que existe a hora dos sussurros, dos gemidos, mas sei exatamente a hora que tenho que gritar, que chamar de vadia, safada, puta, a hora de pedir pra gozar. Pois é... mesmo assim eu temia.
Quando passou aquela fase de hesitação, tomei coragem e fui... ela tava linda; aquele ar de mulherão, mas aquela mesma infantilidade de sempre: “menina mulher”, como diria o poeta. Entrei. Sentei no sofá. Ela, sentada no braço do outro sofá, acendeu um cigarro e, como sabe que eu não fumo, me ofereceu cerveja: “pode deixar que eu me sirvo”. Tomei o primeiro copo de um só gole, depois de dez minutos de conversa, ela já havia fumado três cigarros e eu nada de tomar a atitude que planejara. O clima de repente ficou insuportável, um silêncio chato, absurdo. Baixei a cabeça pra encher novamente o meu copo, quando levantei a vista ela já estava tirando o vestido, que caíra ao seus pés, a menina mulher agora era só mulher o meu medo de não conseguir se fora, meu pau instantaneamente ficou duro, ou como diria Clarissa: “Duro, não beeeeeeem duro”.
Sexo não é improviso, fiz como planejei: a mão esquerda na nuca a arrancar-lhe os cabelos, a direita cravada na bunda, ela já de joelhos baixando minha bermuda sem tirar a cueca, apenas tirando o pau de lado (como faço com ela, as vezes) como quem brinca com brinquedo novo, ela chupa, e olha pra mim como quem diz: “Decifra-me ou te devoro”. Bruscamente ela me empurra, levita até o quarto, deita, sua masturbação é o convite... o convite que eu aceito deixando-a completamente desnuda...
E o fim todos sabem: não precisa contar mais que “Um pouco do resto”.