quarta-feira, 2 de março de 2011

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Aquela dose parecia mais quente que as outras mais forte com mais álcool com álcool destilado por anjos. Aquele trago então... Bebi Rimbaud... Fumei Capitu. Na rua todos me olhavam diferente, o rapaz que passou parecia banhado em libido, a menina parecia feita de cheiro de gosto de gozo. Parecia que todos acabaram de sair do Éden... de um Éden povoado por mil serpentes... ao entrar em casa pensei estar entrando nas tendas de Salomão... no calendário todos os dias marcavam carnaval o feriado das divinas putarias dos gozos permitidos... abrindo a porta do que antes era meu quarto deusas e deuses despidos convidavam-me para o eterno regalo gozoso... na cozinha ninfas ensaiavam o balé de Eros... quando dou por mim o peso de mil Afrodites me esmaga contra o chão de plumas, sequer me vejo, cego só ouço o cântico dos cânticos só sinto o tatear fogoso de Vênus o cheiro do mel invisível e a doce dor das mordidas que agora começam a me devorar... minha língua já era... meu coração dispara bombeando todo o sangue do mundo para o pulsar do meu baixo-ventre...  me mordem, me rasgam, dilaceram-me as mil cadelas possuídas pelos mais indecorosos demônios do paraíso... no meu paraíso... sinto... sinto... sinto... agora o verdadeiro e único prazer... o prazer do aniquilamento... aniquilamento da morte... da minha morte... morte lasciva... morte viva... Em nome da mãe... da filha... e desse espírito santo... GOZEI.

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